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Diário Literário Online

Traição dupla

Postado por Rilvan Batista de Santana 10/02/2008

Traição dupla
R. Santana

I
O prédio fica na rua do Comércio em Salvador. É um edifício de 20 andares. No subsolo fica a garagem. Servido por quatro elevadores: um privativo, do presidente e vice-presidente; outro dos gerentes e diretores; um de serviço e o último, dos demais funcionários, clientes e visitantes. É um suntuoso e moderno edifício, com fachada em pastilha verde sumo e numa das paredes frontais a sigla em cerâmica cor de ouro e alto relevo o nome do holding AMM (Antunes Mascarenhas de Morais Ltda.), Edifício Izabel Antunes, nome da primeira mulher do Dr. Alfredo Mascarenhas Antunes. No Edifício Izabel D´Ávila Antunes concentram-se todos os escritórios do holding: a diretoria, a vice-presidência executiva, as assessorias, o departamento de engenharia, o departamento de marketing, o departamento de contabilidade, departamento financeiro, departamento de segurança e por último, o departamento de recursos humanos.
O holding de 16 empresas, ocupa seis andares do edifício Izabel Antunes, o restante do prédio, é locado para médicos, dentistas, advogados, lojas, escritórios de prestação de serviço e firmas de representação.
Alfredo Mascarenhas Antunes não gosta de empresas de varejo, ele gosta de lidar com fazendas de cacau, pecuária, empresas de construção civil, corretoras de imóveis, metalúrgicas, ultimamente, tinha investido em empresas de rádio, de televisão, de jornal e empresa de publicidade, como sócio majoritário, com o objetivo de divulgar suas outras atividades empresariais. II
Dr. Moacir D´ Ávila Antunes é o irmão mais velho dos seis filhos que Dr. Alfredo tivera com sua primeira mulher, Izabel D´ Ávila Antunes. Estava com 42 anos de vida. Sua diferença de idade para os outros era pequena, seus pais tiveram o cuidado de ter os filhos cedo para desobrigar-se dessa atividade familiar depois de velhos. Dr. Alfredo costumava dizer à mulher: “depois de velho, quero ter dor de cabeça somente com os netos. Cuidar de filho adolescente depois de certa idade, é sacrificar a si e ao filho, pois o velho não terá pique para acompanhá-lo em sua educação e em suas atividade juvenis.”.
Dr. Moacir é o mais boçal dos seis irmãos. Grosso, temperamental, intempestivo e arrogante. Quando algum empregado cometia qualquer deslize funcional, um dano, é demitido e tinha que ressarcir o prejuízo. Não admitia falha.

III
Quando D. Izabel morreu, o casal Antunes não tinha quase nada. Dr. Alfredo trabalhava em uma empresa de engenharia. Eles moravam numa modesta casa alugada. Um carro com 3 anos de uso era o patrimônio da família, por isto, não foi necessário que se fizesse nenhuma ação de inventário. O filho mais novo do casal estava com 4 anos de idade e o mais velho com 9 anos. Dr. Alfredo foi o pai e a mãe na condução moral e intelectual dos filhos.
Aos 33 anos, viúvo, com os filhos na escola, demitido, Dr. Alfredo começa uma pequena empresa de assessoria e serviço de engenharia civil, no início dos anos de 1960. Os primeiros anos empresariais foram difíceis, todavia, vencidos pela determinação e força de trabalho de Dr. Alfredo. Embora tivesse uma visão e um faro comerciais, adquiriu dentro de pouco tempo credibilidade e uma vasta clientela, embasado em princípios éticos profissionais e empresariais
Hoje, aos 66 anos de vida e mais de 30 de experiência empresarial, tinha planejado transferir para os filhos, na hora oportuna, a direção das empresas e gozar no litoral ou numa região bucólica desse país continental,os seus últimos dias de vida.

IV
Não gostava e não era afeito à ociosidade. Filho de uma professora e de um modesto funcionário público federal, tinha desde cedo, aprendido valorizar e economizar tudo que lhe caía às mãos, sem ser sovina ou miserável, mesmo assim, na faculdade de engenharia, tinha ganho o apodo de “tio patinhas”, de certo modo injusto, Alfredo Antunes não fazia conta de migalhas, de economia de palito de fósforo. Entretanto, ele se esforçava em ganhar mais do que gastar. Depois de formado, era o esteio da casa, sempre preocupado que os pais gozassem na velhice uma vida confortável até o último suspiro. Embora tivesse mais irmãos e irmãs, era o xodó dos velhos pelo carinho que lhes devotava. Na falta dos pais, tomou as rédeas da família, ajudou todos se formarem e ao invés de ciúmes de irmãos, adquiriu o respeito e o amor deles.
Hoje, com exceção de uma irmã médica, todos trabalham em suas empresas, com salários dignos, proporcionais ao cargo e à competência. Alfredo Antunes aprendeu, jovem ainda, que as coisas dadas não têm o mesmo valor daquilo que é conquistado com trabalho e sacrifício.


V

-Querido, seu pai pode descobrir o nosso romance. O quê faremos?
-É impossível! Tomo todas providências. Agendo um dia antes os nosso encontros, cuidando dos detalhes. Ademais, o velho só tem olhos para o trabalho. Por isto, você o chifrou... – concluiu cinicamente Moacir.
-Não... não achincalhe seu pai. Ele é um homem bom, você que me seduziu!...
-Eu?... - Madalena Azevedo Sá (cláusula contratual o impedia de usar o nome do marido), estava abobalhada com o cinismo do amante. Ele que a tinha seduzido. Quantas vezes, na mesa, no almoço ou na janta, ele ficava-lhe futucando com a ponta do pé, inclusive com sua mulher ao lado. Uma vez, quase eram flagrados pelo velho Alfredo. Se não fosse a frieza de Moacir, sua capacidade de dissimular, sua presença de espírito, o namoro deles teria acabado no começo.
-Moacir, sua falta de escrúpulo é capaz de qualquer coisa. Acho que devemos parar por aqui...
-Você está doida nega? Lembre-se do nosso acordo. Estou providenciando para que daqui a seis meses fujamos para bem longe daqui. Já providenciei os passaportes e já possuo uma fortuna lá fora – eles tinham combinado fugir para o exterior e lá fixar residência.
-É muito tempo.Tenho medo do seu pai ... Sua mulher anda desconfiada, poderá nos descobrir.
-Oh nega, você está delirando? A minha mulher é uma tonta, enquanto ela tiver cartão de crédito para gastar nas butiques e shoppings, ela não enxergará um palmo diante do nariz!... – Madalena esgotou todos os argumentos. Patrícia era uma dondoca, fútil, só pensava em moda e empavonar-se. Naquela cabecinha só tinha titica de galinha, Moacir tinha razão, não iria mais estragar seus momentos de volúpia sexual pensando em Patrícia e Alfredo, que se danem!...


VI

-Dr. Alfredo, o Sr. Chaves estar esperando há algum tempo. Quê lhe direi?
-Faça-o entrar - foi a resposta do Dr. Alfredo. Parecia que Dr. Alfredo o estava esperando. Fato incomum ser recebido pelo patrão sem antes passar por um ror de perguntas.
-Chaves às suas ordens doutor!... – Dr. Alfredo mediu-o de cima abaixo. Era um homem jovem, alto, descontraído, de porte atlético e parecia estar de bem com a vida. Fora indicado por colega e amigo desde os tempos de faculdade de engenharia. Pela aparência jovem e descontraída daquele profissional, começou perguntar a si, se aquele jovem seria capaz de desempenhar àquela missão que exigia, coragem, perspicácia, sutileza e sigilo profissional.
-Pensei que fosse mais velho!...
-Doutor, a idade nem sempre é sinônimo de conhecimento e experiência. Na minha profissão, a confiança, a discrição, a coragem, a inteligência e os princípios éticos são os estofos necessários para um profissional da investigação – parece que o tinha convencido.
-Desculpe-me Sr. Chaves! Na minha idade e na minha posição, aprendi que para sobreviver tenho que cismar e desconfiar. O Senhor foi indicado por um colega de longas eras, espero que faça jus à nossa antiqüíssima amizade.
-Espero também não decepcionar Dr. Pedro Mafra. Se trabalhar para o senhor, é o segundo trabalho que faço por indicação dele. Acho que estou qualificado para missão de arapongagem, porém, cabe-lhe a palavra final.
-Sr. Chaves, não estou certo da minha decisão. Na minha idade, os escrúpulos são mais exigentes. Fico preocupado em fazer injustiças e ao mesmo tempo fazer o papel de um velho enciumado. Por outro lado, não quero ser um velho cabrão, usado por uma mulher que não é digna do meu amor e da minha confiança, não quero ser alvo de galhofas de quem quer que seja
Casei-me na juventude com uma mulher que me deu 6 filhos. Eu a amava como nunca amei ninguém. Quando ela morreu, o céu desabou sobre mim. Deus é que me deu força de trabalho e equilíbrio para criá-los, senão teria derrocado. Depois dos filhos grandes, casei-me contratualmente com uma moça uns vinte e poucos anos mais nova. Não tem lhe faltado nada... Mas, sinto que ela está me traindo e tenha certeza: para mim todo dispêndio financeiro que tiver com o seu trabalho, estando enganado, representa um lucro, um desencargo de consciência e procurarei compensar-lhe da minha vileza.
Não poupe dinheiro e esforços. Doravante, um preposto meu entrará em contato com o senhor para lhe suprir de dinheiro para as despesas. O senhor não lhe fará nenhuma confidência nem lhe confiará nenhum recado. Em caso excepcional (deu-lhe um número), entre em contato comigo, não deixe recado em caixa postal. O senhor terá todo tempo do mundo, se eu estiver certo, quero no final um relatório anexado às provas. Passe bem! – estirou-lhe a mão.
-Passe bem, Senhor! – fez uma mesura e foi embora sem mais palavra.

VII

Embora Dr. Alfredo não fosse ciumento e o trabalho lhe absorvesse, pouco tempo restava-lhe para essas observações de corações apaixonados e desocupados, começou estranhar certas atitudes no comportamento da mulher. Ela estava mais reflexiva, inquieta e deu pra sair quase todos os dias à tarde com os mais variados e fúteis pretextos. Um dia ia para o médico, noutro ao salão de beleza, depois visitar uma amiga... Dr. Alfredo achava que a mulher tinha se cansado da vida ociosa que levava. Suas saídas eram uma maneira de preencher o tempo preguiçoso.
No início do casamento, pensou em lhe dar um emprego numa das suas empresas ou trabalhar com ele no holding, pois ela foi tirada de lá para sua casa, mas pensou que enfrentaria o ciúme e a incompreensão dos filhos, não obstante sua formação superior em administração de empresa com cursos de pós-graduação em várias áreas e dela ter tido um desempenho profissional excepcional enquanto sua funcionária.


VIII
-Meu pai, Marcos insiste em não querer vender 15 % das empresas de comunicação para um grupo do Sul do país que já lida nessa área – o velho pigarreou, pensou no que ia dizer e respondeu:

-Moacir, há dois meses você deu em cima de Maria Izabel que cuida da construtora Antunes para vender 40% da empresa para um grupo estrangeiro, agora, você perturba Marcos... Quais são os seus verdadeiros interesses? – perguntou Dr. Alfredo com um certo descontrole na voz.
-Meu pai, quero apenas expandir os negócios com novas parcerias e injetar dinheiro nas empresas mais deficitárias!...
-Não existe nenhuma empresa deficitária. Além disso, eu sou o dono delas, teria que ser consultado em primeiro lugar se desejasse fatiá-las. Vocês são funcionários executivos e não têm procuração para vendê-las. Quando eu fechar os olhos, faça o que lhe der na telha de sua parte, quanto aos seus irmãos, sei que as empresas permanecerão com a família que é e será o meu desejo: passá-las de filhos para netos! – Moacir saiu da sala espumando e bufando de raiva!...

IX

-Meu pai estava fulo da vida com a proposta que fiz aos meus irmãos para vender parte de duas empresas! – desabafou Moacir, enquanto enlaçava Madalena e lhe tascava um beijo na face.
-Você está subestimando seu pai e seus irmãos e qualquer hora vai ser flagrado com a mão na cumbuca e aí meu querido, adeus nossos projetos...
-Não se preocupe, está tudo sob controle. Os nossos passaportes estão rubricados pra viagem, falta somente confirmar dia e o retorno. Quando voltarmos a tempestade já passou, irei abrir uma empresa com o dinheiro que tenho. A Patrícia e os meninos eu me entendo com uma boa mesada – “o cinismo dele é irritante” - pensou Madalena.



X

-Diga Sr. Chaves! – ordenou Dr. Alfredo – Depois de 90 dias de trabalho diuturno, mais dia do que noite. O jovem detetive tinha entrado em contato com o Dr. Alfredo Mascarenhas Antunes, naquela manhã, meiado de dezembro de 2002, para entregar-lhe todo o material investigativo. Todo esse tempo tinha falado com um velho funcionário de confiança de Dr. Alfredo para lhe pedir dinheiro para atender às necessidades pessoais e as despesas de operação.
Nunca recebia valores em cheque, era dinheiro vivo!... O preposto indicado por Dr. Alfredo, parecia uma pessoa discretíssima. Não perguntava, não dizia, o máximo era: “quanto o Senhor precisa?...”, “o patrão mandou x dinheiro”.
-Terminei o trabalho. Gostaria de entregá-lo pessoalmente...
-Entregue-o ao Sr. Francisco, ele é de minha estrita confiança.
-Eu sei, mas preciso passar uns “slides” e explicar-lhe cada detalhe. Perdoe-me, não sei se o Sr. Francisco seria capaz de passá-los, acho-o muito econômico nas palavras e na inteligência. Sei que é mais fiel do que um cão! Porém... – interrompeu-o Dr. Alfredo:

-Estou indo, hoje, para Bruxelas. Voltarei daqui a quinze dias... só queria que me adiantasse umas coisas: as minhas suspeitas têm fundamento e com quem?...
-Tem todo fundamento do mundo doutor! E, lamento informar-lhe, com uma pessoa ligada ao senhor... porém... perdão... não faço relatório por celular!...

-Eu que lhe peço desculpa, é que o vexame me deixa imprudente. Todavia, peço-lhe que me arranje extra-oficial, três ou quatro policiais civis e um oficial de cartório, quero lhes dar um flagra... pagar-lhes-ei a peso de ouro, só não quero violência. Depois de ver o material, armaremos o alçapão! Continue trabalhando, pode surgir novos fatos, quanto mais, melhor. Bom dia! – despediu-se Dr. Alfredo.


XI

Foi fácil para o detetive Chaves arrumar pessoas corajosas e fiéis. Ele tinha muitos contatos na polícia e na justiça. Não sabia qual o esquema que seu patrão engendraria. Tinha certeza que não seria nada que se relacionasse com violência física, ainda bem, pois um dos cúmplices da traição era o seu próprio filho. Como seria sua reação quando soubesse da safadeza e da ladroeira de Moacir? Não tinha resposta.
Chaves intensificou o trabalho com a viagem de Dr. Alfredo. Ele estava com razão, na sua ausência, os amantes tornaram-se mais relaxados. Andavam abraçados em lugares públicos, beijavam-se sem cerimônias nas despedidas e entravam em motéis à luz das tardes. Confirmava-se o velho ditado que: “quando o gato sai de casa, os ratos passeiam”.


XII


Dr. Alfredo passou uns 30 dias correndo a Bélgica e vários países da Europa, farejando bons negócios. Mantinha a mesma rotina: telefonava para os filhos e a mulher todos os dias.
Tinha levado consigo, dois diretores ladinos, de estrita confiança, de suas empresas e sua secretária particular, que era experta em inglês, francês e alemão. Com este estafe, não foi difícil fechar vários contratos comerciais.
À noite, no hotel, ficava a matutar: “quem estaria lhe traindo com Madalena?” - por mais que pensasse não encontrava resposta. Suas relações de amizade e a da mulher eram todas conhecidas. Achava que o detetive estava cometendo um engano ou mais de um. Se alguém o estava traindo com Madalena, com certeza não privava de sua amizade e do seu meio. Aventava a hipótese de que o detetive estivesse seguindo a mulher errada, o que causar-lhe-ia um prejuízo imensurável, depois de gasto tanto dinheiro...


XIII

-Doutor Alfredo, boa tarde!
-Senhor Chaves, como anda o trabalho? Acredito que progrediu muito nesses dias?...
-Mais do que no ano passado!... - brincou Chaves.
-O senhor tem razão, passei a virada de ano no exterior pela primeiro vez e agora é que estou me dando conta que estamos na metade do mês de janeiro de 2003...
-O senhor quer ver o material? Acredito que já temos mais do que o necessário! – justificou Chaves.
-Amanhã às 15:00. Diga-me onde o motorista lhe pega?
-Não será necessário. Ficarei na porta da empresa, assim que o senhor sair, eu lhe acompanho.
-Então, amanhã às 15:00!...


XIV

Num apartamento luxuoso, Dr. Alfredo acomoda-se no sofá em frente a um telão, enquanto o Sr. Chaves prepara os “Slides”, o aparelho DVD, o vídeo-cassete, os disquetes, os CDs, câmeras, máquinas fotográficas digitais... enfim, uma parafernália de tecnologia moderna com o produto de mais 90 dias de investigação. Quando tudo estava conectado e arrumado, Sr. Chaves com o controle-remoto nas mãos, antes de começar, faz-lhe umas considerações:
-Desculpe-me doutor, acho que deveríamos assistir esse material com acompanhamento médico. Para mim é de somenos importância, não tenho nenhum envolvimento afetivo com os atores da trama. Para o Senhor será um duro golpe!...
-Senhor Chaves, estou com 66 anos de idade. Já sofri muitos desencantos e decepções. Todo ano faço check-up completo. O meu coração é de adolescente. Se eu estiver enganado, você e Francisco me levam para o hospital. Além de vocês dois, têm quatro brutamontes que são os meus seguranças que possuem resistência de me levar no colo, correndo ate o hospital. se isso for necessário. – galhofou Dr. Alfredo.
O telão foi ligado, a primeira cena foi Moacir beijando apaixonadamente Madalena. Daí em diante as imagens eram mais contundentes: entrando em motéis, namorando no carro, agarrados em cantos de muro, abraçados em via pública e por aí afora... Dr. Alfredo estava lívido embora não tivesse perdido a fleuma. As imagens, mesmo tiradas de longe, eram nítidas e não deixavam dúvidas da dupla traição. Quando o Dr. Alfredo se preparava para levantar, o detetive pediu-lhe que ficasse mais:
-Doutor, um momento, o mais perigoso está por vir. São as conversas por telefone de sua esposa e do seu filho planejando atentar contra sua vida!
As conversas eram obscenas. Relatos eróticos do que tinham feito e estavam com vontade de fazer. Achincalhamento do velho. Dinheiro que Moacir tinha transferido para alguns paraísos fiscais, e por último, planejavam livrar-se dele com uma boa dose de arsênico na bebida em hora e momento oportunos.
Ele, calmamente levantou-se, deu um abraço no jovem detetive e parabenizou – lhe:

-Bravo!!! Você me surpreendeu pela idade. Jovem, não pensei que fosse tão capaz profissionalmente. Aliás, o seu trabalho começa agora, amanhã cedo telefone para Francisco, ele lhe indicará um restaurante. Quero o pessoal que eu lhe pedi lá para um jantar e muita conversa. Ah!... Arranje um profissional em efeitos especiais. Quero gente de inteira e total confiança. Quero que todos tenham pinta de executivo para não despertar suspeita. Se eles não tiverem roupas adequadas, compre-as e mande a fatura para Francisco.


XV

Às 20 horas, dia e local combinados, lá estavam os pseudo-executivos, comendo iguarias nunca vistas e bebidas importadas como gente grande. No início da conversa com Dr. Alfredo, todos estavam inibidos e sem jeito, mas à medida que o whisky e o vinho subiam lhes à cabeça, iam ficando mais soltos e mais espontâneos.

-Senhores, estou sendo ameaçado de morte, roubado e traído. Não quero violência. Quero ressarcir o meu prejuízo com inteligência. Os senhores só usarão de violência em legítima defesa. Os nossos amigos policiais aqui são peritos em artes marciais, não terão necessidade de armas de fogo.
O Senhor Chaves tem os planos por escrito. Ele irá marcar uma reunião em sua casa para discussão de cada detalhe. Não lhes faltará nenhum recurso material. Se alguém quiser dar a priori o seu preço para fazer esse trabalho, fique à vontade!...

-Doutor, não temos uma idéia bem formada do que iremos fazer. Se não for necessário o uso da violência, queremos um salário mínimo por hora de trabalho – era o que Dr. Alfredo queria ouvir.
-Já lhes falei que não sou acostumado resolver os meus problemas com violência. Nós vamos mexer com gente poderosa que na justiça seria um litígio sem fim com os recursos que existem. Iremos usar a inteligência encenando papéis violentos!... Os senhores vão participar como atores, cada um desempenhando o seu papel.
O valor que os senhores pediram é justo, entretanto, será difícil para mim calcular quantas horas iremos gastar. Se tudo ocorrer como nós planejamos, será uma ação rápida, entretanto, há os imprevistos... Então vou lhes propor uma oferta: multiplique o salário mínimo por cem, é o valor que vou lhes pagar!...
-Cem vezes o salário mínimo?... – perguntou um policial.
-Cem vezes e mais um automóvel de presente pra cada um – confirmou o empresário. Todos ficaram embasbacados!...



XVI


-Querida, vou passar uns dois dias na fazenda!... - telefonou Dr. Alfredo.
-Amor, você agora deu pra viajar sozinho?... – cobrou Madalena.
-Viagem de negócio. Irei fechar negócio com a fazenda do vizinho.
-E, não posso ir com você?...
-Não, é uma viagem de negócio, não quero lhe enfadar!...
-Tchau!
-Até depois de amanhã! – despediu-se Madalena.

Doutor Alfredo comunicou que ia viajar aos filhos e à mulher. Francisco era o único que sabia da estratégia do patrão e o acompanhou até um hotel de luxo afastado da cidade e dava-lhe o apoio logístico necessário para que tudo transcorresse como tinha sido planejado.
Madalena, com a viagem do marido, aceitou o convite de Moacir e foram passar a noite num luxuosíssimo motel.
XVII

-Senhora entre no carro, sem alarde, precisamos conversar! – Madalena estremeceu. Era a primeira vez que enfrentava uma situação perigosa. Tinha dispensado os seguranças. Sempre os dispensava quando se encontrava com Moacir.
-Não tenho dinheiro e nem jóias, o quê os Senhores querem comigo?
-Senhora, não somos ladrões. Somos da polícia, queremos que a Senhora assista umas fitas e umas gravações. Se cooperar conosco, será imediatamente liberada.
-Deixem-me telefonar para o meu marido!
-Não se preocupe! Haverá tempo...

Enquanto Madalena era levada, mais quatro homens, de arma em punho, fechavam a saída de Moacir no motel, entraram em seu carro sem despertar suspeita e começaram fazer um trajeto em direção contrária ao centro da cidade.
Moacir era um homem forte, cheio de músculos, cultuava o corpo e era um assíduo freqüentador de academias. Tinha aversão aos exercícios individuais, gostava de participar em grupo, por isso, não tinha personal-trainer e academia particular.
Diferente do pai, não tinha coragem para enfrentar nenhuma situação de risco de morte. Sua coragem era escudada em alguém. Quando estava acompanhado de seguranças, tinha um comportamento temerário e ousado. Mas naquele momento dava dó, o homem era pusilânime, medroso, covarde.

- Por favor, não me matem!... – quase choramingando.
-Não somos assassinos, somos policiais, talvez... tenhamos que lhe prender!
-Eu?... Sou um empresário, quê crime cometi?
-Sonegação de imposto, desvio de dinheiro para paraísos fiscais... –interrompeu abruptamente Moacir.
-Os senhores não têm provas e que é de o mandado de prisão do juiz?
-Leia senhor, o mandado de prisão (deu-lhe o mandado), porém, antes de lhe apresentar às autoridades, iremos passar em um lugar...
-Quero telefonar para o meu advogado!
-Por favor senhor, não abuse da nossa paciência!... – Moacir encostou-se quieto no canto do carro, parecendo um menino procurando o cola da mãe.


XVIII


Madalena assistia estupefata as imagens do telão. Cenas dela com Moacir que não mais lhe vinham à cabeça e fatos mais recentes, inclusive, sua estada no motel no dia anterior. Ainda não tinha atinado qual o interesse daqueles homens em sua vida privada. Achava absurda a hipótese deles terem sido contratados pelo marido para flagrar-lhe. Achava-o desligado e não era de ciúmes. Só havia um jeito de descobrir:
-Os senhores querem mostrar essas cenas ao meu marido em troca de recompensa ou extorquir-me?
-Não somos bandidos! – responderam secamente.
-Então, os senhores não me torturem! O quê querem de mim?
-Que coopere conosco!...
-Como?... – Madalena estava aparentando autocontrole.
-Ajudando-nos incriminar o seu amante!
-Não vou trair o homem que amo! - Madalena estava cada vez mais irritada.
-Já traiu seu marido que dizia amá-lo! E, estava com seu amante perpetrando sua morte.– ela subiu nos tamancos!
-Isso é uma injúria!... Os senhores não têm provas. Embora eu tenha me casado contratualmente, com cláusulas milionárias, jamais pensaria em matar o homem que me deu nome e condições, em troca de quê?
-De ter o homem que ama e muito dinheiro! –responderam-lhe os homens.
-Vou processá-los por injúria e difamação!...
Foi a gota d`água. Os homens contratados por Dr. Alfredo colocaram os CDs no aparelho de som com horas de conversa telefônica, gravada por ordem judicial, dela com o amante, articulando explicitamente, matar o marido e quando a poeira baixasse irem morar juntos e desvencilhar-se de igual modo de Patrícia. As contas em paraísos fiscais, dinheiro roubado em conluio com o amante das empresas de Dr. Alfredo...

Ela estava arrasada. O ímpeto inicial, o autocontrole e o nariz empinado caíram por terra diante da robustez das provas. Ela estava abobalhada. O marido era um artista da dissimulação, tinha descoberto seu romance com o filho dele e em nenhum momento deixou transparecer alguma ponta de ciúme.
Agora, entendia suas viagens prescindindo de sua companhia. Tudo planejado para que, ela e Moacir se afogassem no prazer e na dissolução sem limite, enquanto eram espionados por seus homens filmando cada cena da traição. Não lhe culpava, teria feito o mesmo em seu lugar e condições.
Maria Madalena tinha sido perdoada. Ela tinha tido a ventura de conhecer Cristo e ser purificada. Ela, Madalena, tinha tido a desventura de encontrar um Alfredo, maquiavélico, vingativo e que tinha atirado-lhe uma porção de pedras. Sabia que dali, sairia direto pra cadeia, exceto, cooperasse com os seus homens. Não sabia ainda que tipo de cooperação eles queriam. Deveria ser algo em troca, Alfredo era um excelente negociador. Era frio, desprovido de sentimentos de compaixão e pena na hora de comprar ou vender. O seu latão é ouro, o ouro do outro é latão!...
Amava Moacir, mas reconhecia que esse amor tinha lhe trazido infelicidade. Desde o início do seu casamento que lhe fazia investidas para possuí-la. No início resistiu e chegou até ameaçá-lo em contar ao seu pai, mas ele sabia, quando queria, seduzir uma mulher, todavia, tinha dúvida quanto ao seu caráter.Será que tinha fibra para enfrentar o pai e o mundo para lhe preservar daquelas circunstâncias nefastas? Como poderia saber se ele não estava ali? Quando foi surpreendida pela voz de um dos prepostos de Alfredo:

-Senhora, já tem uma posição?:
-Tem alguma saída?
-Se conseguir provar sua inocência. Senão apodrecerá na cadeia!...
-Terei de fazer o quê? - tinha se rendido. Levaram-na para uma sala contígua a fim de prepará-la para entrada em cena de novos elementos da trama.


XIX

Moacir tremia de medo. Desde que fora forçado passar para o fundo do carro e entregar a direção a um desconhecido quase não tinha conversado. Estava espremido por dois brutamontes que por pouco não lhe deixavam respirar. Já tinham rodado mais de mais de uma hora, em ruas e avenidas. Algumas ruas ele conhecia, mas naquele momento, estavam num ponto muito longe do centro da cidade que não lhe dava a menor noção do lugar. Os quatro desconhecidos também eram econômicos nas falas. O carona da frente ia orientando o motorista que embora demonstrasse experiência doutras viagens, ainda tinha dúvidas do itinerário.


XX

Entrara num prédio pela garagem, sempre ladeado pelos brutamontes. Um deles portava uma arma por baixo do paletó que de vez em quando lhe cutucava as costelas. O tempo e as conversas tinham lhe dado certa serenidade. Tinha consciência que não poderia dar um passo em falso, cometer alguma imprudência, por isto, manteve-se o tempo todo discreto, sem chamar à atenção de transeuntes ou de moradores vizinhos. Já dentro do apartamento é que todos se juntaram, inclusive, com o retorno de Madalena ao grupo. Um deles (o detetive), que parecia coordenar os demais, começou falar:

-Os senhores já se conhecem (referindo-se a Moacir e Madalena), não será necessário apresentações, estou certo?... – perguntou-lhes o detetive.
-Ela é esposa do meu pai! – respondeu Moacir.
-E sua amante... – cutucou o detetive.
-É um assunto particular que não é da alçada dos senhores. Não é certo o nosso seqüestro, não considero isso uma prisão, aqui não é nenhum fórum ou delegacia. Se temos que prestar conta de alguma coisa, que prestemos às autoridades conforme os dispositivos jurídicos vigentes. – com a presença de Madalena, Moacir tinha se travestido de coragem e argumento.

-Não somos seqüestradores. Os senhores serão entregues às autoridades. Porém, quem nos contratou, deseja evitar um escândalo público, desde que cheguemos definir um acordo a contento dos envolvidos. – esclareceu-lhe o detetive.
-Estar cheirando à chantagem! Eu não cometi nenhum crime para ter medo da justiça. Talvez, Tenha cometido algum pecado que terei que prestar conta quando morrer... – Moacir estava senhor de si, já com uma pontinha de deboche!...
-Recebemos orientação para que o Senhor devolva tudo que roubou das empresas do seu pai e se quiser assuma sua amante - o detetive apontou para Madalena.

-Ela não é minha amante. Amo minha mulher. Jamais iria deixar minha mulher por qualquer leviana, prostituta... – foi interrompido por Madalena, chamando-o de canalha, escroque, leviana e prostituta era quem lhe botou no mundo... e, se não fosse a intervenção deles, segurando-a, ela o teria agredido...numa crise de choro, sentou-se no sofá e caiu em prantos.
-O senhor nega que tenha um caso com esta senhora e não roubou o seu pai? – insistiu o detetive.

-Não! Não vou roubar o que é meu e da minha família.
-Dona Madalena nos forneceu os seus bancos em paraísos fiscais e o número de suas contas, faltam os códigos e senhas que estão em seu poder!
-Ela está mentindo. É uma pára-quedista, casou-se com o velho com intuito de surripiar e roubar a família. Estou entendendo... foi ela que armou todo esse imbróglio?... – Moacir estava possesso.

Madalena estava mantida à força no sofá pelos policiais. Jamais imaginou que Moacir fosse tão canalha. Tinha fornecido os números de suas contas com a promessa de que Dr. Alfredo queria, somente, vê-los longe do país, que fossem começar nova vida com o dinheiro roubado lá fora, esquecido e longe da família.

-Sr. Moacir, vou lhe pedir que sente-se um momento e veja e ouça o material que investigamos durante três meses – Moacir acomodou–se numa cadeira ao lado de um preposto.

O DVD foi ligado. No telão começou passar as imagens da espionagem do detetive Chaves. Moacir era o mais descontraído. Madalena, de quanto em vez, por intuição feminina, olhava para os lados procurando alguém. Parecia que seu sexto sentido avisava-lhe que estava sendo seguida. Ele era despreocupação total. As imagens da noite anterior, apresentavam um Moacir galanteador e romântico.
Terminada as imagens, o pessoal passou as conversas dele com sua amante. A proposta dele pra matar o pai, o ajuntamento depois e como se livrar de sua mulher... Não havia margem pra contra-argumentação, principalmente, quando lhe mostraram que toda investigação e grampo telefônico tinham sido feito legalmente – uma façanha do oficial de justiça contratado.

-E aí Sr.Mo...- o detetive não completou a pergunta. Num gesto felino, Moacir saca da arma e desfere dois tiros à queima-roupa em Madalena. Quando contido, a desgraça era irremediável...

-Ela está morta!... - falou um dos homens.


Moacir estava lívido. Começou chorar e maldizer o momento de tê-la conhecido. Estava completamente aturdido. Além dos outros crimes, tinha cometido um crime de morte. A priori, não tinha esperança de ter o respaldo da família e dos amigos. Estava perdido... Quando fazia essas conjecturas, surge do nada seu pai:

-Prendam esse ladrão criminoso! – ordenou rispidamente Dr. Alfredo.

-Meu pai me perdoe!... Foi ela que armou todo esse esquema para me incriminar... – suplicou Moacir.
-Nós fomos suas vítimas. Além de roubar à família, às empresas, estava planejando matar a mim e sua mulher.
-Eu devolvo tudo que roubei mas não me deixe ser preso!... - era o que Dr. Alfredo queria ouvir. Seu plano parecia estar chegando ao fim. Teria que ter cuidado e valorizar os termos, se vacilasse, poderia colocar tudo a perder, seu filho era perspicaz mesmo com toda pressão psicológica:

-Pensei que o senhor devolveria o dinheiro sem necessidade de cometer um assassinato. Agora, a situação torna-se quase insustentável... – O corpo de Madalena já tinha sido levado para uma sala contígua e coberto com um lençol. Enquanto o pai e o filho conversavam, Chaves entrou na sala para pedir orientação ao patrão:.

-Doutor, o quê faremos com o corpo?
-Entregue-o à polícia!
-Não!... Não posso ser preso. Preciso de sua ajuda papai... ajude-me! – suplicou Moacir.
-Não me chame de pai! Quase que seria eu que estaria estirado em algum lugar. O senhor e sua amante estavam planejando matar-me... porém... há uma condição de lhe ajudar?...
-Farei tudo que o senhor quiser... – Moacir estava apavorado.
-Desejo somente aquilo que o senhor roubou de mim e de seus irmãos. Quanto o senhor tem nos paraísos fiscais?
-Dez milhões de dólares!...
-Assine essas procurações! –apontou para um calhamaço de documentos.
-O senhor quer ressarcir esse dinheiro?
-Não, não quero problema com a Polícia Federal e a Receita. O senhor vai vender sua parte nas empresas.
-Mas, vale bem mais!
-Então, se explique com a Polícia Federal, a Receita e a justiça criminal!... - Dr. Alfredo ameaçou sair.
-Tudo bem, com o dinheiro que tenho começarei nova vida lá fora. Porém, preciso chegar aos Estados Unidos!...
-Meu avião vai lhe levar até à Argentina. Da Argentina o Senhor tome o seu destino. O mais rápido possível. Tenho que comunicar o crime à polícia, senão, será mais um crime por ocultação de cadáver...


XXI



Dois dias depois Dr. Alfredo comunicou à polícia o desaparecimento de sua querida esposa. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia, colocou o melhor de sua inteligência investigativa à disposição desse caso. Além disso, várias buscas foram feitas pela polícia militar e civil com base em denúncias anônimas e algumas pessoas suspeitas foram presas.
Um mês depois, a polícia civil, recebeu um pacote contendo CDs de imagem e de voz, com a discussão dos amantes, a imagem do crime e a arma que vitimou Madalena Azevedo Sá. As imagens bem editadas, não apareciam os outros atores da trama, somente, Moacir D`Ávila Antunes com a arma na mão e Madalena com a cara de susto como que pedindo socorro, noutra imagem, ela caída ensangüentada.

XXII


No município de Dourados na zona do planalto do estado do Mato Grosso do Sul, na bacia do Rio Paraná, perto da fronteira do Paraguai, não muito distante da Serra do Maracaju, há uma fazenda agrícola e de gado, chamada Araraquara, que não chama à atenção de quem por lá passa. É uma sesmaria de terra, mas em processo de construção. A holding Antunes Mascarenhas de Morais Ltda., adquiriu essas terras por bagatela, com o objetivo de desenvolver projetos de agricultura e pecuária. Gado já se contava às centenas, enquanto agricultura está em fase embrionária, tratores e máquinas trabalham diuturnamente a terra para plantio de trigo, soja, feijão e milho.
Aqui e acolá encontrava-se grupo de homens construindo casas para trabalhadores e sedes para os administradores. Dentre pouco tempo, a fazenda Araraquara será uma das mais modernas e produtivas daquela região e já começa ganhar fama, com exceção do pessoal que trabalha no escritório na cidade de Dourados, que os donos são estrangeiros.
Nesse clima eufórico de trabalho, chega à fazenda, uma morena de cabelos castanhos, curtos e trajes de senhora, acompanhada por um homem aparentemente mais novo, com ordem da direção da holding A M M para hospedá-los por tempo indeterminado, o casal de irmãos, Chaves e Madalena ou melhor, o casal de irmãos, Roberto e Clara.
Após 30 dias de vida bucólica Clara se apaixona por um engenheiro paraguaio que trabalhava na fazenda. Casa-se no religioso e no civil, com a nova identidade em Dourados e vai morar em Assunção com seu novo marido.

XXIII

San Carlos de Bariloche um ano depois: um casal brasileiro percorre sem pressa os principais pontos turísticos daquela cidade e redondezas. Ela, uma morena quarentona com quase todas as curvas perfeitas que a natureza lhes dotou e uma plástica ainda de fazer inveja; ele, mais maduro, mas rijo, vendendo saúde, não aparentava a idade que tinha...
Já tinham praticado esqui, “snoboard” nas montanhas de Tronador e Cerro Catedral e “raffting”, mas o que mais lhes impressionaram foram as belezas dos lagos Nahuel e Huapi. Eles pareciam ter anos de convivência pelo chamego e amizade.

-Alfredo, eles não são filhos de Moacir. Ele é estéril!... – explicou-lhe Patrícia.
-Então os meus netos são meus filhos?...
-Querido, os três têm sua marca. Se não confia em mim, pode fazer um DNA!!! – Patrícia estava irritada.
-Calma querida, é que você nunca me falou!...
-Não era necessário. Neto é filho duas vezes. Além disso querido, quem faz filho na mulher dos outros, perde o filho e o feitio...

Moacir teve a desventura de ser flagrado pela polícia federal da Grã Bretanha, com uma mala levando 500 mil dólares não declarados das ilhas Caymans e encontra-se, hoje, abandonado e esquecido numa penitenciária inglesa.

Autor: Rilvan Batista de Santana





































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