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O orador e o escritor R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 29/10/2013

O orador e o escritor
R. Santana

 

Eles têm em comum o uso da palavra, são os artesãos da palavra, eles têm o dom de expressar através da oratória ou da escrita o pensamento. Entretanto, nem todo orador tem o dom da escrita e a recíproca é verdadeira.

Na minha crônica: “A palavra e o tijolo”, deixei bem definido a função e o valor da palavra quando disse: “A palavra é o tijolo do pensamento. É com a palavra que se constrói o alicerce, as paredes, os cômodos e o teto dos conceitos e dos sistemas teóricos. Às vezes, uma palavra sozinha encerra um significado.” Portanto, a palavra é a ferramenta principal, a condição sine qua non do escritor e do orador para expressarem os seus pensamentos.

A Bíblia, o livro de muitos escritores inspirados por Deus, expressa nos seus textos o valor divino da palavra: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele" (João 1:1-3), isto é, antes do mundo ser criado a palavra estava com Deus, ”o Verbo era Deus”.

Dentre alguns virtuosos da palavra escrita e da oratória, a História registra: Demóstenes, Péricles, Cícero, Rui Barbosa, Afonso Arinos, José de Alencar e outros luminares da História do Mundo. Gênios da palavra como Aristóteles, Platão, Shekspeare, Alighieri, Allan Poe, Hemingway, Goethe, Schiller, Kafka etc., não primavam à eloqüência, à retórica, mas foram deuses da palavra escrita.

Faz-se necessário dizer para o entendimento do leitor, que não obstante o reconhecimento desses operários da palavra pelas gerações futuras, muitos pensadores, muitos escritores, muitos poetas, foram discriminados, relegados ao ostracismo e à miséria no seu tempo.

Escrever é uma atividade solitária. Para ser escritor não será necessário ser um Dostoievsky, um Machado de Assis ou um Eça de Queiróz, mas ser um leitor contumaz (as idéias não são construídas do nada), fazer da escrita um exercício permanente, subsidiar-se de um bom vocabulário e não se preocupar com os censores de plantão... Hoje, as editoras têm seus revisores profissionais e recursos técnicos de correção ortográfica que auxiliam o autor na correção de um texto. O importante é ter uma boa idéia na cabeça e desenvolvê-la de maneira articulada e ter em mente que escrever não é um ato de inspiração, é um trabalho intelectual puxado, o talento e o estilo fazem a diferença.

É de domínio público, as dificuldades que os escritores, hoje consagrados, tinham para expressar as suas idéias e os seus pensamentos no papel eram enormes em todas as épocas, quem tiver a ventura de ler os rascunhos dos livros do romancista Graciliano Ramos, um dos regionalistas mais elogiado pela crítica literária, irá se debruçar em um amontoado de frases e palavras riscadas e substituídas pelo autor.

As considerações acima servem também para o orador, não obstante, na atualidade, são raros os oradores com a mesma eloquência, a mesma retórica, a mesma prolixidade, o mesmo perfil dos oradores de outrora. Hoje, o orador foi substituído pelo palestrante ou pelo conferencista que é mais um diálogo, uma conversa, onde se valoriza a interação entre o sujeito da oração e o interlocutor.

Conta-se que Demóstenes, o maior orador da Grécia antiga, era gago e venceu suas limitações retóricas através da perseverança e indescritível força de vontade a ponto de utilizar terapias de fonação esdrúxulas para os dias atuais como falar com pedrinhas na boca ou discursar perante o mar com o barulho das ondas.

Atualmente, existem escolas para escritores, bons cursos de redação, estudos interessantes de gramática, de filologia, recursos fonoaudiólogos para melhorar a audição e a voz, cursos para melhorar o desempenho do orador em público, técnicas médicas para melhorar a dicção, porém, não se deve perder de vista que o escritor gênio ou o orador excepcional nasce com o dom da palavra, com essa vocação, com esse potencial.

O orador e o escritor não são feitos nos bancos escolares, eles nascem feitos.

 
Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons - Site Recanto das Letras

Itabuna, 05.03.2011

1 Responses to O orador e o escritor R. Santana

  1. Mestre Rivaldo, lendo seu contexto, lembrei de um locutor que vou ser entrevistado para uma vaga na emissora de rádio. E, aí, o administrador perguntou: " Qual é seu nome?". O locutor respondeu: " Si-si-sil-va San san tos". O administrador espantando, questionou: " Mas você é gago e quer trabalhar como locutor?". Ai, o candidato respondeu: " Não senhor, não sou gago. Meu pai que era e me registrou asim". Realmente, existe uma distancia grande entre ser orador e escritor. Eles têm em comum o uso da palavra, mas a oração cada um faz bem diferente. Parabéns, pelo excelente discurso, apresentação do seu contexto. Você é um excelente escritor. Eu, como orador, sou tímido. As palavras saem fraquinha, fraquinha. Já vou fazer um curso de voz e locução. Obrigado pelo ensinamento de hoje. João de Paula.:

     

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